"Atletiba do século" desafia performance das equipes, acirra clima entre torcidas e gera preocupação com segurança

02/12/2011 11:24

 

Com informações do Bem Paraná / Jornale / Agência Estado

 

"Atlético e Coritiba fazem clássico dos extremos no Brasileirão. Dois times com características diferentes e em momentos diferentes se enfrentam com poucos números em comum". Frases perfeitamente aplicáveis para o duelo deste domingo, às 17 horas, na Arena da Baixada, em Curitiba, não fosse por um detalhe. Foram usadas pelo JE em matéria datada de 26 de agosto, que expunha os dois times para o clássico que encerrava o primeiro turno do Brasileirão, no dia 27 de agosto. Esse jogo, no Couto Pereira, terminou 1 a 1.
Isso quer dizer que, passadas 19 rodadas, nada mudou para Atlético e Coritiba. O time da Baixada luta contra o rebaixamento; os coxas-brancas vislumbram uma vaga na Libertadores. A diferença está no desfecho. Antes, havia 19 rodadas para tentar um objetivo. Desta vez, o jogo, o último dos dois no Brasileirão, vai consolidar o destino de cada um. O Furacão tem a última chance para escapar do rebaixamento. Os coxas-brancas dão a última cartada por vaga na Libertadores de 2012. É praticamente certo que a vitória de um signifique a desgraça do outro. Por isso, esse jogo de domingo vem sendo chamado de "O Atletiba do Século". 

Ao Atlético, que tem 38 pontos, qualquer resultado que não seja a vitória trará um passaporte sem escalas para a segunda divisão. Mesmo que vença, ainda é necessário torcer por uma derrota do Cruzeiro (40 pontos) para o Atlético-MG, em Sete Lagoas — o Cruzeiro terá o mando de campo e, de comum acordo, será o único com torcida no estádio. Além disso, é necessário que o Ceará (39 pontos) não derrote o Bahia, em Salvador. Durante a semana, o clube baiano postou, em seu site oficial, que deseja a permanência da equipe cearense na primeira divisão, em nome da força do futebol do Nordeste. 

O Coritiba, com 57 pontos, até pode empatar ou perder que ainda assim o sonho da Libertadores não será impossível. Para isso, porém, é preciso torcer por infortúnios de Internacional (57 pontos), Figueirense (57), São Paulo (56) e Botafogo (55), que disputam clássicos regionais neste domingo. A boa notícia é que uma vitória coxa-branca basta para que o time cumpra o objetivo, sem depender de nenhum resultado paralelo.

O momento de ambos não deixa de ser um reflexo da temporada. O Atlético vive debaixo de tempestades desde o começo do ano. Terminou o Estadual muito atrás do rival, tropeçou na Copa do Brasil e ficou apenas uma rodada, de 37, fora da zona de rebaixamento. O desempenho provocou trocas constantes no elenco — 26 jogadores foram contratados e 19, dispensados — e na comissão técnica. O técnico Antônio Lopes é o sexto diferente apenas em 2011 e o quarto diferente em quatro Atletibas neste ano. Cereja no bolo, o clube vive uma disputa política fervente, com bate-chapa nas eleições de dezembro, e ainda tem que pensar em obras na Baixada para a Copa do Mundo de 2014.

O Coritiba, por sua vez, navega em calmaria. O time conquistou o Campeonato Paranaense de forma invicta e foi vice da Copa do Brasil — feito inédito na história do futebol do estado. Além disso, bateu um recorde mundial ao somar 24 vitórias consecutivas em jogos de campeonatos, feito reconhecido pelo Guinness Book, o livro dos recordes. O técnico Marcelo Oliveira está no clube desde o começo do ano e apalavrou a renovação de contrato para 2012. A estabilidade política é tamanha que Vilson Ribeiro de Andrade, atual vice do clube, foi escolhido presidente praticamente por aclamação. Ninguém ousou desafiá-lo em uma eleição.

As mexidas (ou não) de elencos têm reflexos diretos nos times para este domingo. Da equipe que iniciou o clássico do primeiro turno, apenas cinco jogadores — o goleiro Renan Rocha, os zagueiros Manoel e Fabrício, o volante Deivid e o meia Marcinho — devem entrar no Atletiba do Século. De lá para cá, o clube viu a saída de dois jogadores (o lateral Edílson e o meia Mádson) e do técnico Renato Gaúcho. Dos atuais titulares de Antonio Lopes, apenas um deles, o meia Paulo Baier, teria sido escalado por opção do então treinador. As outras cinco mudanças de lá para cá (Wagner Diniz e Heracles nas laterais, Marcelo Oliveira no meio-campo e Guerrón e Nieto no ataque) são decisões de Lopes. 

No Coritiba, serão pelo menos sete os jogadores do primeiro clássico que devem estar em campo neste domingo: os zagueiros Jéci e Emerson, o lateral Lucas Mendes, o volante Léo Gago, os meias Rafinha e Tcheco e o meia-atacante Marcos Aurélio. Dois dos atuais titulares, o lateral Jonas e o volante Leandro Donizete, estavam suspensos no fim do primeiro turno e por isso não jogaram naquela ocasião. Por ordem do treinador Marcelo Oliveira, há apenas duas mudanças: vanderlei no gol, em lugar de Edson Bastos, e Leonardo no ataque, em vez de Bill. Essas mudanças nas equipes são apenas uma das diferenças que marcam o Atletiba do Século.

 

1200 policiais farão a segurança. É um número suficiente?

 

A Polícia Militar prometeu reforço na segurança para o clássico Atletiba do próximo domingo (4). O coronel Roberson Bondaruk, que assumiu o comando geral da PMPR na terça-feira (29), garantiu ação efetiva dos 1200 policiais que estarão destacados para o evento.Bondaruk revelou que o policiamento não se dará apenas no entorno do estádio, mas também em demais regiões da cidade. O reforço será concentrado principalmente nos terminais, nas canaletas e nos ônibus. “O esquema também prevê a aplicação de policiais antes, durante e depois do jogo, para que já haja segurança não apenas para as pessoas que vão ao jogo, mas para as pessoas da cidade que transitam domingo e utilizam principalmente o transporte coletivo”, disse.

Bondaruk informou que uma reunião da polícia com lideranças das torcidas organizadas será realizada na terça (29). O objetivo, segundo o coronel, é fazer com que as entidades também participem da elaboração e aplicação do esquema de segurança.

Mesmo diante da importância do jogo para clubes, Bondaruk avisa aos torcedores que a segurança estará garantida. “Pode ir tranquilo, a Polícia Militar está junto da Guarda Municipal, da Polícia Civil. Todos os órgãos de segurança estão preparados, estão organizados, então há um bom nível de segurança para o cidadão”, afirmou.    

Preocupação

Além das particularidades que envolvem o atual confronto, o histórico do rebaixamento do Coritiba, em 6 de dezembro de 2009, com invasão do estádio Couto Pereira e a violência se estendendo para outras localidades de Curitiba, levou a um esquema mais reforçado.

O jogo tem importância decisiva para os dois times na próxima temporada. O Atlético precisa vencer e torcer por tropeços do Cruzeiro, que joga contra o Atlético Mineiro, e do Ceará, que enfrenta o Bahia, para permanecer na Série A. Do outro lado, o Coritiba depende de uma vitória sobre o arquirrival para conquistar uma vaga para a Copa Libertadores.

O presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba, Anderson Teixeira, formalizou sua preocupação ao Ministério Público. "Nós sabemos onde são os locais de maior concentração de torcedores", disse. Entre as sugestões apontadas por Teixeira estão a colocação de ônibus especiais saindo de várias regiões da cidade diretamente ao estádio, sem que os mesmos passem por nenhum terminal. "É mais fácil monitorá-los", afirmou. 


 

 

 


 

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